terça-feira, 17 de março de 2026

Transmutação do falado imaginário

Workspace

O pressuposto começa dançante e cheio de achismos. Adivinhe a ideia, adivinhe a próxima frase, adivinhe as entre linhas, adivinhe tudo que agoniza.

Rodopie nas suas ideias, rodopie até seus calcanhares doerem, rodopie até o giro ser estático e o enjoo não passar de um retorno erradico. Transfigure a emoção, esmiúce a fala como esfarelar areia nos dedos, deixe que arranhe, deixe as fissuras, deixe que doa.

Quando te perguntarem, diga que transmutou, diga que o giro soou imensamente forte que já não sabe seu suposto, seu identitário, seu imaginário.

Diga que o perdeu na silaba passada, aquela carregada e mau acabada, diga que foi culpa da mensagem não terminada, diga que foram as raízes de selva envenenadas e depois não diga nada.

Permaneça na espiral,

seguindo o caminho desenhado no chão,

um passo de cada vez,

devagar, concisa, precisa.

Contaram que no fim da linha

você se depara com o nada,

vira possibilidade, ramificação,

transmutação.

Aberto ao não vivido,

o tudo é insipido,

inodoro,

incolor.

Transmute.

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