O pressuposto começa dançante e cheio de achismos. Adivinhe a ideia, adivinhe a próxima frase, adivinhe as entre linhas, adivinhe tudo que agoniza.
Rodopie nas suas ideias, rodopie até seus calcanhares doerem, rodopie até o giro ser estático e o enjoo não passar de um retorno erradico. Transfigure a emoção, esmiúce a fala como esfarelar areia nos dedos, deixe que arranhe, deixe as fissuras, deixe que doa.
Quando te perguntarem, diga que transmutou, diga que o giro soou imensamente forte que já não sabe seu suposto, seu identitário, seu imaginário.
Diga que o perdeu na silaba passada, aquela carregada e mau acabada, diga que foi culpa da mensagem não terminada, diga que foram as raízes de selva envenenadas e depois não diga nada.
Permaneça na espiral,
seguindo o caminho desenhado no chão,
um passo de cada vez,
devagar, concisa, precisa.
Contaram que no fim da linha
você se depara com o nada,
vira possibilidade, ramificação,
transmutação.
Aberto ao não vivido,
o tudo é insipido,
inodoro,
incolor.
Transmute.

