Hora do rush. A labuta do dia chegou ao fim. A ansiedade de enfim descansar, de comer um pão na chapa quentinho, de se desconectar do mundo do trabalho e poder dizer em tom de satisfação um suado “ufa!” — ou não.
Em minha imensa ignorância a respeito do mundo e das pessoas, eu diria que não existe uma cerveja mais cremosa e gelada do que o litrão depois de um dia de trabalho. E, como um amante da falaciosamente conhecida como “baixa” gastronomia, me sinto sempre na obrigação de degustar um bom petisco ao lado de amigos na mesa de bar.
Bolinho de carne, queijo, camarão, bacalhau, mandioca, calabresa, frango e por aí vai. O conforto trazido por uma mordida em um desses gordurosos exemplares da “baixa” gastronomia é imensurável — os mais ousados dizem que substitui uma psicóloga.
Mas, nesta obsessão, sempre me encontro pensativo. Qual o bolinho perfeito? Quais elementos separam os bolinhos comuns daqueles divinos? Essas respostas eu ainda não tenho, mas, por isso, embarco em uma jornada épica, que começa hoje.
Em Busca do Bolinho Perfeito
No primeiro episódio dessa série, fui ao Jacobina, no Juvevê, para provar o famoso bolinho de feijoada, recomendado fortemente por moradores de todas as partes de Curitiba.
O bar, um clássico do bairro, é frequentado pelos mais diferentes tipos de pessoas. Companheiros de trabalho dividem o ambiente com senhores boêmios e famílias com crianças, todos em prol do mesmo objetivo: aproveitar da gastronomia saborosa do local.
A cerveja não é cara, e promoções tornam ainda mais propícia uma noite de gastanças e muita felicidade.
Um ponto positivo do Jacobina — ainda mais para nós comunicadores — é a bela identidade visual que traz um vibrante amarelo com laranja à esquina da Rua Almirante Tamandaré com a Conselheiro Carrão. Por dentro, o local também é chamativo, com decorações que contam um pouco da história do bar.
Mas vamos ao que importa, o bolinho de feijoada é bom? Meus caros leitores, a resposta não poderia ser outra. NÃO!! Ele é mais que uma simples comida, é uma jornada transcendental de sabores, texturas e emoções.
Na primeira mordida, somos surpreendidos por uma crocância bombástica, que resgata do fundo do nosso inconsciente as mais felizes tardes de férias de nossa infância. Sendo um pouco mais pessoal, me lembra muito as maratonas de Cocoricó que fazia enquanto me deliciava com pães de queijo e suco de laranja.
O interior do bolinho é macio, levemente apimentado e com um forte gosto de feijoada. Sim, um mero petisco é capaz de trazer os mais complexos sabores deste exemplar da gastronomia tupiniquim.
É impossível comer apenas uma unidade. O bolinho é hipnotizante, viciante e totalmente sem-vergonha — ele não se importa se o dinheiro que você tinha para pagar as contas de casa chegou ao fim. Por isso, alerto: cuidado. Muito cuidado. Vá ao Jacobina logo após receber o seu gordo pix do mês — sei que meus leitores são todos CEOs e diretores de grandes empresas.
Resumindo: existem sim bolinhos que podem substituir psicólogos. E digo mais! Às vezes ele são pais, mães, amigos e irmãos.
Nota para o bolinho de feijoada do Jacobina: Cocoricó/10. Uma experiência gastronômica comparável apenas às mais malucas aventuras de Anthony Bourdain.

